segunda-feira, 15 de março de 2010

Palavra de Mestre * As Barras de Trapézio!

por Danaan Parry

Algumas vezes eu sinto que a minha vida é constituída por uma série de trapézios que balançam lentamente. Ora eu estou pendurado em uma barra de trapézio balançando-me ou, por tênues momentos, me sinto cruzando os espaços vazios entre esses trapézios. 

Na maioria do tempo passo a minha vida sentado no conforto do meu trapézio querido do momento. Ele me conduz durante o seu pequeno balanço, ora para frente, ora para trás. Acredito, dessa forma, que controlo a minha vida. Assim, creio conhecer a grande maioria das perguntas certas, bem como algumas das respostas que eu julgo certas. 

Porém, apenas por um instante, eu me sinto feliz balançando-me. Então eu olho à minha frente e o que consigo ver? Vejo outra barra solitária de um trapézio balançando em minha direção. Ela está vazia. E, dentro de mim, há um lugar que sabe que aquela é uma nova barra de trapézio da minha vida.

Ela representa o meu próximo passo, o meu crescimento interior, um novo sentido da minha vida, um novo desafio a enfrentar. E, no mais profundo do meu coração, eu sei que para o meu crescimento, preciso dar o novo salto desta barra que conheço e gosto tanto e que nela me balanço há tanto tempo, para uma nova barra que representa um novo começo. 

Cada vez que isso me acontece, eu desejo no fundo do meu coração, que não precise aparecer outra barra à minha frente. Todavia, nesse meu lugar, acomodado e conhecido, eu sei que preciso dar o meu próximo salto e no tênue momento desse salto, enquanto cruzo o espaço e me jogo em direção à minha nova barra, sinto-me quase paralisado pelo medo. 

Tenho medo de não conseguir pegar a outra barra e de cair e me espatifar nas pedras do abismo da vida. Todavia, internamente, sei que consigo fazê-lo, que vou e preciso fazê-lo. Talvez, isso seja a essência daquilo que os místicos chamam de experiência da fé. Não há garantias, não existem redes de proteção. Mas, eu faço porque se continuo pendurado me balançando na velha barra, sei que não conseguirei, simplesmente, dar continuidade à minha jornada da vida. 

E, por um momento que pode durar alguns segundos ou a eternidade de uma vida, eu me vejo cruzando o vazio desconhecido de um tempo que passou e de um futuro que ainda não está aqui. Mas o que significa o vazio existente no meio?  Representa o que podemos chamar de transição. Eu chego a acreditar que é esse o único lugar "rico" no qual a mudança real acontece, a nossa evolução, o nosso real crescimento interior.

Queira ou não o meu sentimento é verdadeiro, e é ele que me favorece com a certeza de que as zonas de transição são lugares inexplicavelmente ricos. Sim, mesmo com todo turbilhão que geralmente acompanham as transições, são justamente esses momentos que fazem com que nos sintamos vivos, apaixonados e com as nossas vidas em expansão. 

E assim sendo, a transformação "do medo de pular" pode não ter nada a ver com fazer esse medo ir embora, mas apenas de ganharmos força para permitir a nós mesmos, no momento certo, nos jogarmos na zona de transição entre os dois trapézios e pegarmos a outra barra. Somente tendo a coragem e a ousadia de nos jogarmos no vazio que poderemos, realmente, aprender a voar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Livro: Um Caminho de Deus * Pode Ser Através do Olhar!

por Antonio Caldas Coni Neto

(...)

Todos nós já ouvimos falar na "essência". Este espaço interior em nós fonte de amor, profundo, infinito, que nos impulsiona ao prazer, à alegria presente, a simplesmente "Ser". Este centro onde não há julgamento e nos vemos iguais, como "um". A criança está muito próxima da realidade essencial, desta realidade interior e a todo tempo busca experimentá-la, ainda que sem consciência.

Mas, desde infância, são tantos os acontecimentos em nossas vidas, os exemplos, são tantas as situações ainda bem pequenos que nos levam a esquecer este "Ser" que existe em nós e que "somos nós". A "essência" está lá, nos esperando lembrar, esperando que nós ganhemos força e coragem, esperando que nós tomemos consciência dela. Ela sempre estará lá, pulsando, ainda que existam muitas camadas em torno dela procurando escondê-la, ainda que existam muitas crenças enraizadas em nosso interior, muitas emoções negativas vividas, experiências registradas no decorrer de nosso caminho que nos impede de percebê-la e de viver a vida a partir desta realidade que só é capaz de criar e realizar amor.

O caminho do conhecimento de si mesmo, "um caminho de deus", deve nos conduzir, primeiro, a tomar consciência destas camadas em torno da essência, de toda esta carga que trazemos para a nossa vida atual, que nos faz viver a vida que estamos vivendo. E tomar consciência é conhecer, aceitar, compreender, perdoar, transformar e transcender. Quando este percurso é realizado, aquilo que é mais um bloqueio em direção à essência dissolve-se, integra-se e nos alimenta a estar seguindo adiante.

A meditação dinâmica criada por Osho é um potente recurso que nos facilita a estar dissolvendo estas camadas que bloqueiam o contato com a nossa "essência". Mas não é só isso. A depender exclusivamente de nossa fé, a energia gerada por nós no decorrer do processo meditativo pode, como um "raio", atravessar todas as nossas camadas protetoras, todas as nossas defesas e couraças, e nos levar ao espaço essencial. Viveremos a experiência de nossa vida, a iniciação, a revelação. O deus de “um caminho de deus” é revelado a nós. A nossa missão.

Durante a experiência você não fala, só sente. Você não tem o controle, só vive. Você chora, chora por maravilhosidade, por compaixão, por amor. Neste estado de "Ser" em que não há caminho, "não há medo de ter medo, não há medo de ter dúvida", em que só há amor, desejar-se-á, do fundo do coração, que a revelação aconteça para todos de uma só vez. Só que deus não seria deus se isto acontecesse. É necessário fazermos a nossas escolhas individualmente.

Necessitamos retornar. Retornar para fazer "um caminho de deus". Retornar para realizar o nosso propósito, a nossa jornada. Uma luz se acendeu e se apagou rapidamente, por um instante. Você viu tudo, você viu além, você experimentou. E agora? A existência te chama. Esta experiência será para nós um "turbilhão" de energia que nos impulsionará a estar realizando o nosso caminho com uma força interior até então esquecida.

Em certo sentido, a experiência é "temporária" ainda que fique eternizada em nossa consciência. Mas sempre poderá ser vivida novamente através do "encontro", aqui mesmo. Através da abertura, da entrega, da união, da conexão, da intimidade com a natureza, com o mundo, com o próximo. E no encontro dizer "eu vejo você, eu estou aqui". E pode ser em silêncio, através do "olhar".

(...)

quinta-feira, 4 de março de 2010

A Ciência Ayurveda * A Filosofia Samkhya!

por Antonio Caldas Coni Neto

A Ayurveda tem como fundamento a filosofia “SAMKHYA”. A filosofia “Samkhya” considera dois princípios básicos com relação à criação do universo: “PURUSHA” e “PRAKRUTI”. 

“Purusha”, quer dizer “pura existência”. O espírito puro. É o subjetivo que está além do tempo e do espaço, sem forma e sem atributos, o abstrato, o vazio, o nada que tudo “É”. Não há tempo, não há espaço em “Purusha”. “Purusha” é sentimento.

“Prakruti”, quer dizer fonte da matéria. É o potencial ilimitado de criação no universo. A causa original, a origem da matéria. A origem de tudo que pode ganhar forma e ter ação. É o impulso primordial da criação, o objetivo que avança no tempo e no espaço.

A fusão deste dois princípios é a inteligência cósmica, “MAHAD”. Tudo no universo está ligado à “Mahad”. A inteligência cósmica reflete as Leis Naturais, Universais e Imutáveis que regem a criação, a experiência sem limites. E para experimentar-se ilimitadamente é necessário dividir-se, separar-se em infinitas formas, em infinitas partes o que está representado na diversidade de toda a natureza que compõe o universo.

No ser humano esta separação é o “Eu Sou”, “AHAMKAR”. “Ahamkar” se liga à inteligência cósmica, “Mahad”, através de "BUDDHI". “Buddhi” é a essência individualizada, a inteligência cósmica em cada parte separada que compõe o universo.

"Ahamkar", o "Eu sou", projeta a mente, “MANAS”, a qual tem a função de coordenar toda atividade e energias no nível da matéria animada, orgânica, e inanimada, inorgânica. A mente é condicionada ao ambiente e manifesta-se por meio de uma força de movimento livre e dinâmico, denominada “RAJAS”. “Rajas” representa a qualidade da atividade. Este movimento dinâmico acontece a partir de um potencial criativo, “SATTVA”, e/ou a partir de um potencial destrutivo, “TAMAS”.

“Sattva”, o potencial criativo, representa as qualidades da inteligência, da virtude, da bondade. “Tamas”, o potencial destrutivo, representa a qualidade da inércia, da escuridão. “Sattva”, “Rajas” e “Tamas” são denominadas “Três Gunas”. O ser humano irá manifestar a vida conforme as qualidades das três gunas. A Ciência Ayurveda aponta para a necessidade de se equilibrar as qualidades das três gunas no ser humano. A consciência do potencial criativo, a consciência do potencial destrutivo, e o equilíbrio na ação livre são os fatores que conferem ao ser humano o equilíbrio energético necessário a uma vida saudável em nível físico, mental e espiritual.