sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Dicas Evolutivas * Mestre, Eu Quero Paz!

por Antonio Caldas Coni Neto

Mestre, "Eu quero paz!". Não é fácil para um mestre olhar nos olhos daquele que pede a "paz" e dizer algo que o ajude a encontrá-la por si mesmo. 

O mestre pergunta "O que fica se retirarmos o "Eu" e se retirarmos o "quero" da sua frase?". A "paz", responde o discípulo.

Tão simples e tão difícil. Nisto reside toda uma caminhada de "conhecer a si mesmo". Colocar o "Eu" a serviço do coração, "deixar de querer". "Querer paz" ainda é "querer". E toda busca, todo o "querer" é do ego, carente. Quando quiser algo, "pare"! Não importa o que for, "pare"! Interromper o "querer da mente" e ir para o coração. Este é um exercício. A "paz" encontraremos no coração.

É necessário aprender a sentir o coração. Estar aberto para ouvir o coração. Sem "querer"! O "querer" traz implicitamente consigo o medo, medo de tudo aquilo que não queremos. E não é possível sentir "paz" se ainda existe medo. A "paz" é um sentimento de aceitação, de totalidade, de abertura, um sentimento de amor, do coração, que não é contrário ao medo, mas que transcende ao medo. E notem que a paz é representada pela "cor branca" que é a união de todas as cores, do todo, a totalidade.

O "Eu" jamais sentirá "paz", pois, ele é movido pelo "querer" e a "paz" é um sentimento do coração. Então, se você sente que é chegado o momento, se o seu coração aponta para necessidade de sentir "paz", esteja aberto para o encontro com a essência, esteja aberto para o encontro consigo mesmo, esteja aberto para o caminho que colocará o "Eu" a serviço do coração. E este é um caminho de "deixar ir", de "deixar de querer", "deixar de buscar a paz" para "ser paz", aprender a atuar a partir do "sentir" e fazer da "paz" o caminho.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Palavra de Mestre * Este Encontro é Possível!

por Jean Yves Leloup

Na nova consciência não se pode separar o amor e a verdade. Não podemos separar a inteligência e o coração. A nova consciência é o despertar de um coração inteligente ou o despertar da inteligência do coração. E então, nesta nova inteligência percebemos o mundo de forma diferente.

Conhecemos três palavras importantes: urgente, necessário e essencial. Penso sempre em um homem que me dizia antes de falecer: "Fiz muitas coisas urgentes e necessárias na minha vida, mas passei ao largo do essencial. Passei ao largo do que eu sou realmente. Representei o papel de alguém que não sou eu, que não é o meu ser verdadeiro". E o que tinha feito este homem? Tinha feito belas coisas, urgentes e necessárias. Eu tentei fazê-lo compreender que a essência estava nele. E ele me respondeu: "Sim, talvez. Mas eu não a sinto". 

E eu creio que temos necessidade de sentir que o que nós fazemos de urgente e necessário seja habitado pela nossa essência. E neste momento nossas ações se tornam verdadeiras. Elas expressam o que nós realmente somos. No caminho ao qual somos convidados nos é pedido que seja cada vez menor a distância entre o que somos e o que pensamos, entre o que pensamos e o que dizemos, entre o que dizemos e o que fazemos. E esta é uma longa caminhada.

O despertar de uma nova consciência vai mudar o sentido dos nossos valores. O essencial passará para o primeiro lugar. Aí também vocês poderão observar que quando você estiver dando tempo para o essencial, se você cuida do ser, se você cuida desta parte profunda do seu interior, você encontrará tempo para resolver os problemas urgentes e necessários. Mas enquanto este despertar da nova consciência não se manifestar em nós, estaremos muitas vezes submersos pelas urgências e necessidades, sem tempo para a nossa eternidade. Caminho em que pouco a pouco a vida vai perdendo sentido, e um vazio interior é criado.

E na eternidade, em algum momento, nos será perguntado "quem fomos?" E não nos será perguntado se nós fomos como Jesus, Buddha, se nós fomos como o Dalai Lama ou como diferentes pessoas que, para nós, são exemplos que iluminaram o nosso caminho. Não nos será perguntado se fomos como estas pessoas. Nos será perguntado "quem fomos e se fomos nós mesmos?" Cada um de nós tem a produzir os frutos de nossa própria árvore. E a vida daqueles que nos inspiraram, que compartilharam a seiva que os animavam, não é para ser imitada, mas para servir como exemplo de encontro com a eternidade e para dizer "este encontro é possível a qualquer Ser Humano".

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Livro: Um Caminho de Deus * Viva a sua Riqueza Interior!

por Antonio Caldas Coni Neto

"(...)

Nascemos em um ambiente que não nos facilita o desenvolvimento da qualidade de "estar em contato com a essência". Não aprendemos a estar em contato com o nosso interior. Desde infância, gradativamente, fomos perdendo contato com a nossa fonte, com o nosso coração, com a nossa promessa, até o momento em que houve um rompimento, uma desconexão. Nos desconectamos e com a desconexão decidimos "não viver".

E o que é o "não viver"? São as nossas atitudes que agridem a nós mesmos, ao próximo e a humanidade, na maioria das vezes, inconsciente. No entanto, podem ser percebidas pelo resultado que elas provocam em nossas vidas no nível físico-pessoal, no nível psiquo-sócio-ambiental, e no nível espiritual. Como estamos cuidando do nosso corpo? Como estamos nos relacionando consigo mesmo, com o próximo e com o planeta? E como estamos espiritualmente?

"Não viver" é não acreditar que somos "vida". "Não viver" é estar atuando na vida em prejuízo de si mesmo, do próximo e da humanidade. É necessário decidir "viver", nascer de novo como um deus, renascer em "um caminho de deus".

Todos nós já fizemos um caminho pela estrada do "não viver". E é natural que as mudanças em nossas vidas não aconteçam em um "estalar de dedos". Não foi em um "estalar de dedos" que caminhamos até aqui. É necessário começar a mudar nossos hábitos, nossas atitudes, alargar a nossa percepção, expandir a nossa consciência para começar a viver. Não é fácil, mas, o tamanho da nossa dificuldade é o tamanho da nossa coragem, da nossa força e da nossa fé que estão dentro de nós.

O caminho do "não viver" faz parte de nós e é preciso compreendê-lo, utilizá-lo como um "caderninho de memórias", com muitas lições e oportunidades de aprendizados. E ele será muito útil em "um caminho de deus". E ao decidir "viver", nascer de novo, viva profundamente a sua riqueza interior. Simplesmente viva! Torne-se maior, aprofunde-se, liberte-se, expanda, torne-se um "sábio", um poço de sabedoria, uma fonte onde muitos possam vim beber da sua água e se sintam estimulados a tornarem-se fonte também, a tornarem-se sábios, mestres de si mesmo!

(...)"